Solta essa voz, HR!

bad brains hr via marques you against

Foto: Danilo Souza

por Gabriela Capo

Quando anunciaram o Bad Brains no Brasil com formação original e divulgação do mais novo CD, Into the Future, lançado no finzinho de 2012, a molecada positive vibration pirou. E por molecada não digo só a juventude, não. Os fãs mais antigos de punk e hardcore de qualidade também aguardavam ansiosamente a chegada de uma das bandas mais influentes de Washington – e, ouso dizer, do mundo.

A escolha do lugar em que o show aconteceu nesta última sexta, 5, foi duvidosa (pelo menos para mim). O Via Marquês é palco de festas universitárias, mas está na rota de bandas como o Dead Kennedys, que se apresenta no próximo dia 21. A pista reuniu uma enxurrada de fãs de todas as idades que se jogavam nos moshs e aproveitavam cada acorde tocado com maestria pela guitarra de Dr. Know, cada batida de Earl Hudson na batera e o acompanhamento sem igual do baixista Daryl Jenifer.

A abertura ficou por conta da competente banda paulistana Paura, que se define como uma mistura entre Slayer e Bad Brains, dotados da ética do hardcore – a atitude. A escolha não podia ser mais certeira. Comandados pelo vocalista Fábio Prandini, o público que já estava na casa pôde conferir os sons dos últimos CDs da banda, com muitos riffs pesados e breakdowns por incessantes 45 minutos. Um dos destaques foi Fernando Schaefer, que detonou na bateria, pesando em cada batida e tornando as músicas mais densas e envolventes para os fãs entrarem na vibe do show principal.

Quem estava ansioso pelo show do Bad Brains teve que segurar a emoção por 1h. Enquanto preparavam o palco, rolava muito punk rock nas caixas e a casa lotava ainda mais por todos os tipos de fãs e curiosos. Finalmente, às 23h40, lá estavam os integrantes subindo ao palco. Sem muita enrolação, uma breve introdução com um som excepcional e logo o hino “Atittude” já era entoado por todos – menos por HR, que parecia estar em um mundo paralelo, tamanha a excentricidade. Sua voz marcante foi visceral nas músicas mais agitadas e acompanhada por caras e bocas. Nos dubs e reggaes do novo CD, podíamos ouvi-lo melhor, como se ele estivesse ali apenas para give thanks and praises to the Lord. Enquanto alguns insistiam em tentar ouvir o HR, outros preferiam entoar cada canção como se fosse em um karaokê regidos pelo mestre. Sim, estariam ali cantando acompanhados do Bad Brains.

Com performance genial, a banda passou pelo Brasil entoando hinos como “Banned in D.C”, “Re-ignittion” e “Pay to Cum. Quem estava ali conferiu guitarra, baixo e bateria como se estivesse dentro do estúdio, tamanha a perfeição da execução dos acordes. Depois de um break rápido, o Bad Brains arrematou o público com “I Against I”.

 

>>Pouco mais de uma hora de show e apenas uma certeza: Bad Brains é uma das melhores bandas da história.

2 comentários

  1. Magoo · abril 8, 2013

    “Sua voz marcante foi visceral nas músicas mais agitadas e acompanhada por caras e bocas”
    Cara tirando isso, o post está perfeito, foi melhor karaoke hardcore que eu já presenciei!

  2. Provos Brasil · abril 10, 2013

    O show do 2008 foi bem melhor, mas bem mesmo é só procurar…. HR é lenda….

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