Festa Caustic + entrevista com Leonardo Cantinfras

FESTA_CAUSTIC_2014_CARTAZA3por Heloíse Fruchi

Consolidando uma década de atuação na cena independente, a Caustic Recordings, selo da Baixada Santista, celebrará seu décimo aniversário com a Festa Caustic, evento que acontece neste final de semana, 15 e 16 de fevereiro, na Livraria da Esquina, em São Paulo.

Onze bandas, provindas de distintas origens e estilos, se apresentarão durante os dois dias de festival: xEscurox, Horace Green, Standing PointSurra, Jah Hell Kick e Clearview no sábado; Dedication, Veneno Lento, O Cúmplice, Blackjaw e Good Intentions no domingo.

Além dos shows, haverá venda de comida vegan fornecida pela Cooperativa No More Pain , banquinhas de material independente das bandas e dos selos Seven Eight Life Recordings, Black Embers Records, Seein’ Red e Thinking Straight,  exposição de fotos Hardcore Jumpx e distribuição dos CDs recém-lançados pela Caustic Records aos 15 primeiros pagantes a comparecerem no evento: no sábado, Reds, primeiro álbum do Jah Hell Kick; no domingo,  The Anchor Sleeps, mais recente trabalho do Blackjaw.

A Festa Caustic também promoverá uma ampla arrecadação de roupas e alimentos destinada à Associação Minha Casa, Minha Rua, entidade que desenvolve ações sócio-educativas e de cidadania participativa embasadas em metodologias de emancipação comunitária e reintegração social. Com a finalidade de estimular o­­ empoderamento da comunidade de moradores de rua de São Paulo, tais ações articulam continuamente uma rede colaborativa de auxílio alternativa ao assistencialismo de mediação institucionalizada e indireta. Sendo assim, é proposta a doação de um quilo de alimento não perecível (exceto sal e açúcar) ou uma peça de roupa em bom estado para cada dia de festival.

Leonardo Cantinfras, um dos idealizadores do selo, conversou com a gente sobre o evento e os dez anos de atividade na Caustic. Dá um confere:

Conta um pouco sobre a Caustic Recordings: como é a atuação do selo e no que pretendem incidir?

O selo nasceu quando Fábio Pereira e Daniela Zaha resolveram lançar o CD da banda Odyssey, de Curitiba. Daí me convidaram para fazer parte, pois na época eu já distribuía fitas K7, das quais eu ganhava o CD matriz das bandas e xerocava as capas aqui mesmo. Desde então, temos lançado, na medida do possível, bandas em que nós tocamos e bandas que gostamos, seja musical ou ideologicamente. Nessa caminhada, já dividimos lançamentos com parceiros como Seven Eight Life Recordings, Seein’ Red, One Voice, Hearts Bleed Blue, Peculio Discos e muitos outros selos independentes. Temos também uma distribuidora, onde distribuímos material nacional e importado de bandas e selos que temos contato.

Acreditamos que o hardcore é algo contestador, vem contra aquilo que vivemos na sociedade dia após dia e que nos afeta de forma geral. Com isso em mente, essa é a idéia de querer continuar a produzir material dessas bandas: levar a mensagem que elas mesmas pretendem passar adiante usando a música como veículo.

E esse aniversário chega pra reiterar o quê?

Já se passaram mais de 10 anos desde que começamos a produzir, daí a ideia de preparar esse festival e mostrar que qualquer pessoa pode se dedicar aquilo que ama e a faz feliz, de forma independente e organizada, seja organizando shows, tocando em bandas, escrevendo fanzines ou atuando de forma geral dentro do contexto do hardcore.

Não estamos aqui para sermos o ‘melhor’ selo ou lançar as ‘melhores’ bandas, esse tipo de pensamento não se encaixa muito bem na ideologia do punk. Cooperar é a solução, competir por algo que simplesmente não existe, não nos leva a lugar nenhum.

Há uma multiplicidade de estilos e origens entre as bandas que dividirão palco na Festa Caustic. O que motivou essa reunião?

Para essa edição comemorativa, pensamos inicialmente em convidar as bandas ativas do selo. Porém, por motivos financeiros, nem todas poderão estar presentes. Daí, coletivamente, fomos decidindo por bandas que se identificam conosco, que acreditamos em suas propostas ideológicas, apoiam nossas atividades como selo e, principalmente, o fato das pessoas que fazem parte disso serem amigos e amigas, o que facilita muito na hora de organizarmos um evento.

Agradecemos muito ao Coletivo Crucial Times e à Juventude Positiva Produções (que participarão diretamente nesta edição) pelo apoio incondicional que sempre nos deram quando resolvemos fazer esses eventos. Vamos aproveitar que recentemente lançamos os CDs do Blackjaw e fazer um show de lançamento de seus respectivos álbuns.

Pensamos também na diversidade musical. Acreditamos que o hardcore não se limite a apenas um único estilo (melódico, mosh, crust, punk rock, etc…). Diferentes ideias, diferentes pessoas e diferentes estilos musicais podem sim ser algo produtivo.

Qual pretende ser o impacto da arrecadação destinada ao Minha Casa, Minha Rua – tanto aos beneficiados quanto aos contribuintes? Como isso surgiu a Caustic?

Tivemos conhecimento sobre a entidade Minha Casa, Minha Rua depois que o Good Intentions arrecadou donativos no show de lançamento do CD Enquanto Houver, que aconteceu na Casa Jaya. Pretendemos dar continuidade ao trabalho que eles fizeram, e doar todo o material arrecadado para a entidade. Sabemos que existem milhares e milhares de pessoas e entidades para serem ajudadas, mas no momento decidimos concentrar nossos esforços para essa. Solidariedade é algo que, na medida do possível, devemos colaborar. Por isso, a idéia de agregar isso ao evento em si. E que desperte nas pessoas a importância da ajuda a pessoa próxima, seja dessa ou de qualquer outra forma.

FESTA CAUSTIC
15 e 16 de fevereiro
Livraria da Esquina – Rua do Bosque, 1254 – São Paulo (metrô Barra Funda)
R$ 10/dia + 1kg de alimento (exceto sal e açúcar) E/OU uma peça de roupa em bom estado.

True Brotherhood Fest!

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Imagem: Reprodução

por Heloíse Fruchi

>Provando que incidentes não precisam ser passivos, os caras do Clearview e do Afronta organizaram o True Brotherhood Fest!  – evento que pretende minimizar os danos do furto sofrido pelo Questions há três semanas.

Pra quem ainda não sabe, a Casa do Metal – QG do Questions – foi arrombada durante a noite de Natal. Entre os equipamentos furtado estava a guitarra Gibson The Paul do Pablo, única peça recuperada até o momento; o instrumento voltou às mãos de seu dono graças à uma vasta mobilização que correu pelas redes sociais permitindo que a peça fosse identificada no comércio da Teodoro Sampaio.

O baixo Fender e os pedais do Helinho, assim como o cabeçote Ampeg continuam sendo uma perda de valor inestimável aos músicos.

Sendo assim, o festival, que ocorre no próximo mês, reunirá fundos para contribuir com a banda. Além de Questions, Clearview e Afronta, Still X Strong e Inner Self – que realizará seu show de estreia – se apresentarão no palco da Livraria da Esquina.

O You Against! parabeniza todos os envolvidos.

True Brotherhood Fest!:
03/02, a partir das 18h
R$ 10,00
Livraria da Esquina: Rua do Bosque, 1254 – Barra Funda

Faz calor em Santos

bayside kings you against marcelo la farina

Bayside Kings em ação. Foto: Marcelo La Farina/YouAgainst!

>É verão na Califórnia brasileira. E a cena da baixada santista continua crescendo. Na última sexta-feira, dia 21, a Base foi palco para para que 100ilusões, Surra, Bayside Kings, Clearview e Paura fizessem o que poderia ser o último show de todos os tempos.

O calor era propício para o fim do mundo, mas como o apocalipse não chegou (pelo menos desta vez), o que se viu em Santos foi uma noite com hardcore de altíssima qualidade. Os locais do 100ilusões, Surra e Bayside Kings, exatamente nesta ordem, foram os primeiros a se apresentar – as duas últimas bandas com os maiores públicos da noite.

Não menos importantes, os shows do Clearview e do Paura não ficaram devendo no quesito excelência e empolgação. Porém, desfavorecidos pelo horário (tarde na madrugada), não tocaram para uma casa lotada.

>>Resumo do hardcore:

.100ilusões: Bom show, mas poderia ser mais breve.
.Surra: Ensurdecedor!
.Bayside Kings: Os donos da casa, os donos da festa!
.Clearview: Infelizmente prejudicada pela falta de público. Ótima banda.
.Paura: Seja para mil ou seja para um, o show dos caras sempre faz a casa entrar em ebulição. Quem é, é. Quem pode, pode.